29 abril 2014

Hoje o meu coração saltou para fora do meu corpo!

Hoje fui pela primeira vez sozinha, a pé, para a escola. Depois de muitas vezes o ter pedido à mamã, ela finalmente acedeu à minha vontade e deixou-me fazê-lo. Huumm, para ser mais rigorosa, não fui sozinha, tive a companhia da minha amiga M., que aproveitou e teve também a sua estreia de ir para a escola a pé, sem a supervisão de algum adulto.

Ouvi os conselhos repetidos quinhentas mil vezes pela mamã: cuidado ao atravessar nas passadeiras, não fales nem aceites nada de estranhos, quando chegares entra logo na escola, liga-me quando lá chegares, blá, blá, blá.... Não me importei nada com isso, pois hoje estou nas nuvens! Sinto-me tão crescida, tão independente, tão capaz de alcançar tudo o que eu quiser!!!

Ai... daqui a nada já vou ser ainda mais crescida e vou poder sair com as minhas amigas para passear à vontade, ir brincar para o parque sem ter de levar os meus irmãos atrelados, porque já posso ir sozinha para onde quiser... o Mundo que me aguarde!!!!!

Estou muito feliz! Muito!

01 janeiro 2014

Falar a lingua das estrelas

Recentemente dei-me conta de que os meus pais não vão viver para sempre. Que nascemos, crescemos, ficamos grandes, depois velhinhos e depois, inevitavelmente, morremos. E quando morremos, desaparecemos da Terra, transformamo-nos em estrelas e vamos viver para o Céu.

O meu avô e a minha bisavó já morreram e agora são duas estrelas que vivem no Céu. E quando anoitece e o Céu está estrelado, eu olho com muita atenção para ver se os consigo encontrar, mas no meio de tantas estrelas que lá habitam, não os consigo encontrar. E isso assusta-me.

Os meus pais serão estrelas um dia. E quando esse dia chegar eu vou ficar muito triste, pois já não vou mais poder estar com eles e vê-los. E isso também me assusta. Muito...

O papá explicou-me que quando ele e a mamã forem estrelas, vão estar no Céu com o avô e a bisavô. E quando eu também me transformar numa estrela, vamos todos nos reencontrar.

Mas... as estrelas falam uma língua diferente dos humanos. Como é que eu, quando chegar ao Céu, vou poder chamar por vocês, se não sei a língua das estrelas? Como é que vos vou encontrar no Céu...?

08 agosto 2013

Coração elástico e devidamente compartimentado

Tenho muitas saudades do meu papá. Imensas. Tantas que até dói. E nada posso fazer para as apaziguar, só aquele abraço que lhe der quando o reencontrar pode fazer milagres. No entanto, embora a ausência física do meu papá tenha instalado no meu coração uma grande tristeza, simultaneamente, ajudou-me a tomar consciência de que adoro a minha família. Muito. E que podemos gostar das pessoas e das coisas com intensidades diferentes! Por exemplo, eu gosto muito do meu papá e da série "Winx Club", que passa no Canal Panda, ao nível "do tamanho do mundo inteiro"; já da minha mamã, irmãos e da série "My Little Pony" é no nível "gosto muito, exceto quando a minha mamã me coloca de castigo e a minha irmã não brinca comigo".
 
No meu coração as angustias também estão hierarquizadas: para já sofro muito pela ausência do papá e por a data da sua vinda tardar a chegar. Mas já tenho uma caixinha guardada para a angustia que vou sentir quando, depois de tantos abraços e mimos, ele voltar a separar-se de mim. E a angustia de pensar que ele pode não estar comigo no Natal já se fez anunciar e portanto o meu coração já tem uma caixinha para ela também.
 
Vou crescendo e o meu coração vai crescendo comigo também, em tamanho e capacidade para armazenar sentimentos e emoções. Mas do alto dos meus 4 anos digo:  tudo no seu devido lugar e a seu devido tempo.

07 agosto 2013

Quando olhares para trás....

... já passou. 8 anos e três filhos depois, ainda não perceberam que todos os dias crescemos, aprendemos coisas novas e que, por mais que queiram vivenciar e saborear todos os segundos da nossa existência, a nossa vida corre mais depressa do que o vosso cérebro consegue absorver?!?
A intenção é boa, nós sabemos. Mas conseguir realizar essa tarefa diária é-vos humanamente impossível - aceitem isso. Pois se hoje uma aprendeu uma palavra complicada, a outra ontem amadureceu quando tomou consciência das suas limitações quanto ao manter-se sossegada numa sala de aula, ao mesmo tempo que, entre ontem e hoje, o pequeno aprende a gatinhar - quem sabe amanhã já gatinhará na perfeição.
Em 24 horas muita coisa acontece na nossa vida e não há fotografia, filmagem e memória que capte a plenitude do nosso crescimento. 
A frustração e o sentimento de "se calhar não estou a ser a melhor mãe/pai do mundo e a vida dos meus filhos está a passar-me ao lado" podem por vezes falar mais alto. Mas sosseguem: não queremos os melhores pais do mundo, queremos os melhores pais do mundo que temos: vocês! E sabem porque é que ocupam esse lugar no pódio? Simplesmente por pensarem e se preocuparem com o facto de, se calhar, não serem os melhores. Para nós são! E como, no fim, é a nossa opinião que conta....

31 julho 2013

Cartas ao meu pai

Estávamos 5 e agora estamos 4 e um está algures a 8 mil quilómetros de distância de nós.
Sabemos o nome do sitio onde está e sabemos também que é longe, muito longe, tão longe que tem de ir de avião para lá e não pode vir visitar-nos quando quer.
O coração é um mas está dividido ao meio - metade ficou dentro de cada um de nós e a outra metade foi para algures a 8 mil quilómetros de distância daqui.
As saudades, essas, multiplicam-se como uma doença viral, sem qualquer medicamento que acabe com elas.
Continuamos a crescer, a viver experiências e a descobrir o mundo, mas um de nós não está aqui para o ver em primeira mão.
Falam-nos em sacrifícios que é necessário fazer para que possamos ter uma vida melhor.
Dizem-nos que em breve os 5 voltarão a estar juntos novamente e que as saudades serão apaziguadas e, quem sabe, esquecidas.
Ansiamos pelo reencontro e esperamos que todo o tempo que tenhamos juntos seja celebrado com muita alegria, muitos abraços, muito colinho, muitos mimos, muitos "adoro-te papá".
Pois o reencontro será breve e sem que nos apercebamos, 8 mil quilómetros se instalarão novamente entre os 4 e o um.
Somos demasiado pequenos para perceber a total amplitude da escolha dos adultos. Mas somos crescidos o suficiente para sentir o peso das suas escolhas.
Esperamos que no fim, tudo tenha valido a pena. Os 5 estão incompletos, com os 4 aqui e o um algures a 8 mil quilómetros de distância.
Começamos a antecipar o reencontro: adoramos-te papá! Muito!

30 janeiro 2013

E já lá vão 6...

Já tenho 6 meses. Podia dizer o esperado: ena pá, já passaram 6 meses desde que cheguei a este mundo, estou tão grande e esperto, a mamã baba-se todos os dias porque tenho um sorriso encantador, esbanjo saúde e sou muito bonito, blá blá blá blá blá.... Não, não vou dizer o que vocês já sabem, basta olhar para este corpinho e cara laroca e pronto, é óbvio.
 
Meus caros amigos, já lá vão 6 meses que as minhas bochechas aturam as beijocas melosas da minha mãe, que o meu corpo fica apertado com os abraços atabalhoados das minhas irmãs, que os meus ouvidos ficam fartos de ouvir as manas a discutir sobre quem é que já brincou com o mano e agora é a sua vez...
 
Quanto ao meu pai, é ele que me safa desta loucura de aturar as miúdas! Pois se não fosse ele, eu não sabia o que era espernear na banheira, com tanta força e rapidez que o chão da casa de banho fica todo molhado (e também o pai, já agora). E isso é tão divertido, adoro!!! E embora o papá faça os possíveis por me dar um banho bem rápido para minimizar o tempo de chapinanço, eu, como bebé forte e robusto que sou, em 5 segundos consigo fazer grandes estragos... ponham-me numa banheira com um fundo de água de 3 cm e eu bato com os meus pés na água com tanto entusiasmo que até os azulejos da parede não escapam, eh eh eh eh eh...
 
E pronto, este é o meu ponto de situação de 6 meses de vida vividos com o restante Gang. Vida fácil? Não sei, experimentem ser um bebé fofo e lindo e passarem um dia inteiro com duas manas, carregadas de energia, a quererem estar sempre com vocês e depois opinem...

19 agosto 2012

Hoje...

...  cantamos os parabéns ao nosso mano pelo seu primeiro mês de vida! E que mês foi este que passou! Entre a alegria de conhecer finalmente o nosso irmão, a euforia de poder interagir com ele e a excitação de participar ativamente no seu dia-a-dia (que neste momento se resume apenas a beber leite, mudar a fralda e dormir, mas que queremos ser nós a tratar na vez dos papás...), todos os dias deste último mês têm sido vividos tão intensamente por nós que os papás não se têm importado tanto que estejamos uma manhã inteira em frente ao televisor (nessa altura conseguem respirar um pouco, dizem eles...).