14 julho 2015

Atirem-lhe migalhas!

De vez em quando é preciso atirar umas migalhitas à mamã. O pai está a trabalhar longe de casa, a mamã está sozinha a criar 3 filhos e por vezes ela fica um pouco desanimada e insegura: será que está a tratar bem de nós, será que está a dar-nos o amor que merecemos, será que está a ser uma boa mãe.
 
Quando vejo a mamã um pouco mais cansada e carente, lá lhe lanço um "gosto muito de ti mamã", ou um "deixa-me dar-te um beijinho grande".
 
Ontem, enquanto estávamos a divertir-nos à grande nos insufláveis, no âmbito das festas da Maia, olhei para ela, sorri e gritei-lhe (estava aos pulos no insuflável, daí o gritar...): "mamã, este é o melhor dia de sempre! E tu és a mamã que eu sempre quis ter, és a melhor mãe do mundo!!!!" O seu sorriso largo e o olhar nutrido apareceram logo.
 
De vez em quando é preciso oferecer estas bolhas de oxigénio puro, para a mamã poder respirar fundo. 

24 junho 2014

A Sustentabilidade da Leveza

Afinal... para sermos felizes não é preciso estar sempre a lutar com o relógio - e perder sempre essa batalha! - para conseguir ter tudo organizado e a tempo; também não é preciso ter sempre a lida da casa impecavelmente em dia ou o jantar rigorosamente pronto à mesma hora todos os dias, sob pena de prejudicar a rotina da criançada.  

Não mamã, o que realmente precisamos para sermos felizes - e isso não é negociável - é de ti. Inteira, disponível, alegre, com vontade de se sentar no chão e brincar, com sorriso rasgado e braços sempre abertos para nos dar mais um abraço apertado...

Apreciamos a roupa lavada e passada a ferro, a comida saborosa e as receitas feitas a nosso pedido; também gostamos da casa limpa, dos brinquedos arrumados e do serviço de motorista privativo que forneces todos os dias. No entanto, nada disso nos fará felizes se, no teu dia-a-dia, não disponibilizares um tempinho para simplesmente estares connosco a brincar, para ouvir o que queremos partilhar contigo, para parares o teu redemoinho interior e apenas contemplares o nosso crescimento...

Felizmente já começas a perceber... e com isso, vamos observando e usufruindo de uma mamã mais descontraída, mais sorridente, mais leve. Obrigada mamã!

04 maio 2014

Serás a melhor mãe do mundo?...

Todos dizem que a sua mãe é a melhor mãe do mundo. Ok. Eu cá tenho as minhas duvidas em relação à minha... Quer dizer, como é que eu posso dizer que a minha mãe é simples e inquestionavelmente a melhor mãe do mundo, se é a única que tenho? Não posso mandá-la embora e pedir outras, para fazer testes e comparar!
 
Tenho de me contentar com esta... que, pensando bem, até nem se tem saído nada mal como minha mãe: deu-me duas irmãs que muitas vezes são umas chatas, mas que também muitas vezes me ensinam coisas novas, divertidas e, quase sempre, um pouco avançadas demais para a minha idade, eh eh eh...; dá-me miminhos, beijinhos, muito colinho, comida saborosa, preocupa-se com a minha saúde, gosta de me ver sempre bem lavadinho e cheiroso, muda-me a fralda, lava a minha roupa, vai-me buscar à escolinha com um sorriso aberto e um abraço apertado, fica com saudades minhas quando se ausenta mais do que umas horas, ama-me incondicionalmente, diz-me que eu sou o "docinho bom da mãe"...
 
Hum... realmente não sei se a minha mãe é a melhor mãe do mundo. Mas uma coisa eu sei com toda a certeza: A MINHA MÃE É A MELHOR MÃE DO MEU MUNDO! E mais nada!!!!

29 abril 2014

Hoje o meu coração saltou para fora do meu corpo!

Hoje fui pela primeira vez sozinha, a pé, para a escola. Depois de muitas vezes o ter pedido à mamã, ela finalmente acedeu à minha vontade e deixou-me fazê-lo. Huumm, para ser mais rigorosa, não fui sozinha, tive a companhia da minha amiga M., que aproveitou e teve também a sua estreia de ir para a escola a pé, sem a supervisão de algum adulto.

Ouvi os conselhos repetidos quinhentas mil vezes pela mamã: cuidado ao atravessar nas passadeiras, não fales nem aceites nada de estranhos, quando chegares entra logo na escola, liga-me quando lá chegares, blá, blá, blá.... Não me importei nada com isso, pois hoje estou nas nuvens! Sinto-me tão crescida, tão independente, tão capaz de alcançar tudo o que eu quiser!!!

Ai... daqui a nada já vou ser ainda mais crescida e vou poder sair com as minhas amigas para passear à vontade, ir brincar para o parque sem ter de levar os meus irmãos atrelados, porque já posso ir sozinha para onde quiser... o Mundo que me aguarde!!!!!

Estou muito feliz! Muito!

01 janeiro 2014

Falar a lingua das estrelas

Recentemente dei-me conta de que os meus pais não vão viver para sempre. Que nascemos, crescemos, ficamos grandes, depois velhinhos e depois, inevitavelmente, morremos. E quando morremos, desaparecemos da Terra, transformamo-nos em estrelas e vamos viver para o Céu.

O meu avô e a minha bisavó já morreram e agora são duas estrelas que vivem no Céu. E quando anoitece e o Céu está estrelado, eu olho com muita atenção para ver se os consigo encontrar, mas no meio de tantas estrelas que lá habitam, não os consigo encontrar. E isso assusta-me.

Os meus pais serão estrelas um dia. E quando esse dia chegar eu vou ficar muito triste, pois já não vou mais poder estar com eles e vê-los. E isso também me assusta. Muito...

O papá explicou-me que quando ele e a mamã forem estrelas, vão estar no Céu com o avô e a bisavô. E quando eu também me transformar numa estrela, vamos todos nos reencontrar.

Mas... as estrelas falam uma língua diferente dos humanos. Como é que eu, quando chegar ao Céu, vou poder chamar por vocês, se não sei a língua das estrelas? Como é que vos vou encontrar no Céu...?

08 agosto 2013

Coração elástico e devidamente compartimentado

Tenho muitas saudades do meu papá. Imensas. Tantas que até dói. E nada posso fazer para as apaziguar, só aquele abraço que lhe der quando o reencontrar pode fazer milagres. No entanto, embora a ausência física do meu papá tenha instalado no meu coração uma grande tristeza, simultaneamente, ajudou-me a tomar consciência de que adoro a minha família. Muito. E que podemos gostar das pessoas e das coisas com intensidades diferentes! Por exemplo, eu gosto muito do meu papá e da série "Winx Club", que passa no Canal Panda, ao nível "do tamanho do mundo inteiro"; já da minha mamã, irmãos e da série "My Little Pony" é no nível "gosto muito, exceto quando a minha mamã me coloca de castigo e a minha irmã não brinca comigo".
 
No meu coração as angustias também estão hierarquizadas: para já sofro muito pela ausência do papá e por a data da sua vinda tardar a chegar. Mas já tenho uma caixinha guardada para a angustia que vou sentir quando, depois de tantos abraços e mimos, ele voltar a separar-se de mim. E a angustia de pensar que ele pode não estar comigo no Natal já se fez anunciar e portanto o meu coração já tem uma caixinha para ela também.
 
Vou crescendo e o meu coração vai crescendo comigo também, em tamanho e capacidade para armazenar sentimentos e emoções. Mas do alto dos meus 4 anos digo:  tudo no seu devido lugar e a seu devido tempo.

07 agosto 2013

Quando olhares para trás....

... já passou. 8 anos e três filhos depois, ainda não perceberam que todos os dias crescemos, aprendemos coisas novas e que, por mais que queiram vivenciar e saborear todos os segundos da nossa existência, a nossa vida corre mais depressa do que o vosso cérebro consegue absorver?!?
A intenção é boa, nós sabemos. Mas conseguir realizar essa tarefa diária é-vos humanamente impossível - aceitem isso. Pois se hoje uma aprendeu uma palavra complicada, a outra ontem amadureceu quando tomou consciência das suas limitações quanto ao manter-se sossegada numa sala de aula, ao mesmo tempo que, entre ontem e hoje, o pequeno aprende a gatinhar - quem sabe amanhã já gatinhará na perfeição.
Em 24 horas muita coisa acontece na nossa vida e não há fotografia, filmagem e memória que capte a plenitude do nosso crescimento. 
A frustração e o sentimento de "se calhar não estou a ser a melhor mãe/pai do mundo e a vida dos meus filhos está a passar-me ao lado" podem por vezes falar mais alto. Mas sosseguem: não queremos os melhores pais do mundo, queremos os melhores pais do mundo que temos: vocês! E sabem porque é que ocupam esse lugar no pódio? Simplesmente por pensarem e se preocuparem com o facto de, se calhar, não serem os melhores. Para nós são! E como, no fim, é a nossa opinião que conta....