28 janeiro 2016

Blá Blá Blá

Falar na terceira pessoa. Quando somos pequeninos tem piada. E é uma forma de percebermos qual é o nosso nome e o nome de quem nos rodeia. "P., a mamã vai agora dar-te a comidinha, está bem?"; "A mamã não quer que faças isso, P.!"; "A mana vai ajudar-te a subir as escadas."; "O P. é um menino tão lindo!"; "A M. vai buscar um copo de água para o P., está bem?".

Mas agora, comigo a caminho dos 4 anos, sinceramente é uma valente confusão! Porque a mamã já não fala de si para mim na terceira pessoa - só às vezes, porque se esquece e volta ao velho hábito. 

Corrigem-me, mas ainda falo em mim na terceira pessoa (por favor! dêem-me um desconto, foram muitos anos a ouvir toda a gente a falar assim), ao mesmo tempo que ouço a mamã e as manas a fazer exactamente o mesmo. 

Sou chamado à atenção, as manas são chamadas à atenção. Só a mãe é que não é chamada à atenção. Porquê?! Hã, ok... porque é a mãe...

(mania de ser superior...)

13 janeiro 2016

Tortura, é o que é


Mandem-me para a escola. Já! Quanta mais falta de hora para acordar e brincadeira na piscina temos de aguentar?!? Tortura, tortura é o que é. 

Pais, vocês são mesmo maus...

06 janeiro 2016

Masterchef RIMAPE

Tosta à bolonhesa à moda da R.

Esqueçam os australianos, os americanos, os portugueses e os juniores. Cá em casa temos um programa Masterchef, versão RIMAPE, em directo, praticamente todos os dias! 

É que eu adoro ver programas de culinária e sonhar que um dia vou confeccionar aqueles pratos maravilhosos dignos de estrelas Michelin!

Enquanto esses sonhos não se concretizam, vou fazendo experiências e servindo-as no restaurante cá de casa e aos clientes perfeitos: a minha família!

E como os gostos de um, as opiniões sobre as minhas primeiras aventuras culinárias são igualmente diversas: a mamã apoia mas monitoriza, o papá apoia mas não consegue esconder o olhar assustado quando coloco a comida no seu prato, a mana apoia e quer ajudar-me a todo o custo, tornando-se uma verdadeira melga e o maninho está-se nas tintas para quem cozinhou o quê, apenas quer comer porque está com fome e de imediato.

Algumas vezes as experiências correm mal. Mas outras vezes correm muito, muito bem! Acreditem, as tostas à bolonhesa estavam de se comer e chorar por mais!

01 janeiro 2016

Somos mesmo uns bebés!

Somos mesmo uns medricas! Somos mesmo crianças da cidade. Somos mesmo europeus!

Pânico, gritos e terror por causa de uma baratinha inofensiva?!?!, Que por acaso só tem praí uns 20cm de comprimento?!? Em África?!?!?
(pronto, ok, estamos a exagerar. A ultima que vimos no quarto da mana mais nova só tinha uns 6 cm...)

Mas, quer dizer... falando a sério... tanto alvoroço só por causa de um bicharoco destes que por estes lados há aos montes? Aos milhares...?
(Ai minha nossa, aos milhares...)

Se calhar não havia necessidade. Se calhar somos mesmo uns "vidrinhos de cheiro". Qualquer criança que desde sempre viveu em Angola irá olhar para nós e exclamar: "Puff! Não sejam bebés chorões! É só uma barata! Qual é o drama?"

(não... não há drama nenhum... e não queremos ser bebés chorões... mas estávamos habituados a viver em apartamentos, e cidades grandes, e sem pátios, e sem árvores no jardim, e sem calor sufocante mesmo quando chove, e... e... e... SEM BARATAS E SAPOS E GAFANHOTOS E MOSCAS E MOSQUITOS E LAGARTIXAS À ESPERA DE INVADIREM O NOSSO QUARTO E NOS PREGAREM SUSTOS DE MORTE!!!!!)

Não há drama. Nenhum...
(medo... muito medo...)

31 dezembro 2015

O que esperamos em 2016

Créditos: nemcy.wordpress.com

A mana mais velha espera continuar a experimentar receitas e a sujeitar o resto do Gangue a comê-las.

O mano espera continuar a aperfeiçoar a arte de dançar ao som de ritmos africanos e a pedir vezes sem conta as mesmas músicas até o restante Gangue já não aguentar mais.

E eu espero continuar a ser a mana chata que quer andar atrás da mais velha para copiar tudo o que ela faz e desse modo sentir-me mais crescida e ser a mana que ensina ao mano as traquinices que os papás dizem para não ensinar.

Ou seja, esperamos continuar em 2016 a vencer os papás pela exaustão. Temos feito um bom trabalho nesse sentido, eheheheh...

28 dezembro 2015

Rescaldo do Natal


Quatro semanas a imaginar, imprimir, cortar, colar, pendurar e comprar decorações de natal.
Três dias a trazer e levar prendas de natal.
Dois dias para preparar e cozinhar menus para a véspera e dia de Natal.
Um minuto para abrir todas as prendas (foram mais 10 minutos, mas para nós pareceu um...).

Uma canseira...

E afinal para quê?

Para no dia a seguir ao Natal ouvir a minha irmã mais nova dizer: "Ai, quem me dera ter aquele brinquedo xpto..."

O quê?!?! O papel de embrulho das prendas que recebeste ainda nem sequer saiu do baldo do lixo e tu já estás a desejar novos brinquedos?

Então e que tal usufruir, brincar e, e, e... olha!, até estragar! primeiro os que tens à menos de 24 horas?

Puxa, do alto dos meus 3 anos posso apontar o dedo e dizer-te: mana, és uma consumista!

(e o próximo Natal vai demorar um pouco a chegar, vê se te controlas, capice?)

22 dezembro 2015

Não, não vais!

A mamã conduziu pela primeira vez em Angola há alguns dias atrás, tendo como co-piloto o papá.
Sei que ela estava muito nervosa e cheia de medo de ter algum acidente ou de cometer erros grosseiros na estrada. Sei disso porque ela disse-o, a alto e bom som várias vezes no carro, para justificar os pedidos de diminuição do barulho das nossas brincadeiras e quezílias habituais no banco de trás.
(tarefa impossível de realizar, já devias saber disso, mamã. Duas crianças e uma pré-adolescente, sentados num espaço minúsculo de um banco automóvel traseiro, sem nada para fazer senão olhar para a janela... é receita para conflitos parvos e brincadeiras estúpidas. E barulhentas.)

Mas adiante: nessa primeira condução da mamã em terra angolana correu tudo bem, com o papá a sinalizar minuciosamente os buraquinhos, buracos e crateras a evitar passar a roda por cima e com a mamã finalmente a conseguir entender-se com a caixa de velocidades do carro, ao fim da vigésima tentativa de carregar no inexistente pedal da embraiagem (o carro tem mudanças automáticas mamã!!!!).

Entretanto o papá viajou para Portugal durante 4 dias. No dia anterior ao regresso do papá a Angola, a mamã sai-se com esta: "Meninos, que tal irmos os 4 dar uma voltinha de carro? Acho que fixei o caminho de ida para o shopping mais próximo."

Espera aí! O caminho de ida? Então e o de volta, também fixaste?!? 
Achas que sim?!? 
Mas não tens a certeza?!?! 

Espera aí! Estás a sugerir metermo-nos num carro, cuja caixa de mudanças só à pouco tempo passaste a dominar, para irmos por uma estrada que só experimentaste uma vez?!?

E sem teres a certeza de qual o caminho de volta?!?!

E num país onde conduzir é um acto de fé...? 

Eu posso ter só 11 anos, não saber o que é conduzir, e entender que gostavas de nos levar a passear para não estarmos sempre enfiados em casa... mas não! 

Não, não vais! Não vais conduzir!!!