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24 fevereiro 2011

Portugal: País desenvolvido ou do Terceiro Mundo?!?

Sabemos que somos umas meninas afortunadas. Nada nos falta: amor, carinho, um tecto, roupa e comida na mesa. Mas esta não é a realidade para todas as crianças deste país... Este "cantinho" não se destina propriamente para fazer trabalho de intervenção social, mas perante esta noticia que recebemos, não podemos deixar de a divulgar. Fica à consciência de cada um a forma como a interiorizará:

O Diário do Professor Arnaldo - A fome nas escolas
Publicado em 19 de Novembro de 2010 por Arnaldo Antunes

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.

Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar. De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila - oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude. Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche. O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas... Sem saber o que dizer, segurei-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta. Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir». Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?

É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos. É este o Portugal de sucesso e orgulho do Sócrates!!!! Divulguem e não se cansem de divulgar por esse mundo fora... Não se calem... Pode ser que chegue à assembleia da República das Bananas!

Perguntem ao Sócrates e aos Boys se têm passado muita fome e quem é que lhes paga a gasolina e os fatos comprados em Nova Iorque!

09 março 2010

Quem Manda Aqui?

Vamos lá ver uma coisa: eu ainda não tenho 6 anos, mas sou crescida, certo? E apesar de ainda não ter ultrapassado a barreira dos 120 cm, sou grande, nã0? E só para confirmar com toda a certeza: o meu cérebro pensa por si e é livre, não é? É. Então...

...porque carga de água é que as miudas mais velhas da minha sala têm a desfaçatez de dizer que mandam em mim, ein? Nesse momento até me calei, mas mal cheguei a casa perguntei aos papás se elas estavam certas e voilá! Erradíssimas!!!! Quem manda em mim sou eu, e quem manda nas regras são os adultos. E quem manda lá em casa são os papás, e quem manda na escolinha são as professoras. Pronto. Esclarecido.

Puxa, fiquei mais descansada,estava a ver a minha vidinha a andar para trás... Hoje já estou preparada, eheheh. Mal abram a boca para dizerem que são donas e senhoras de tudo só porque já têm 6 anos, PIMBA! Levam com um redondo ESTÁS ENGANADA, NÃO MANDAS EM MIM! E se insistirem, digo alto e a bom som que ainda não são adultas, por isso não mandam em nada e em ninguém! Pimba, embrulha e vai buscar! Ok mamã, esta frase não é muito bonita para se dizer... desculpa... foi a emoção...

23 fevereiro 2010

Os Meus Direitos Básicos

Então isto de ter nascido primeiro não me dá nenhuma vantagem competitiva, no que respeita à manipulação dos brinquedos de ambas as manas? Eu sei que o caderno para pintar da Hello Kitty mais respectivos lápis de colorir foi oferecido à Marta, mas eu, como mana mais velha - a primogénita!, deveria automaticamente ter direito a estrear o dito caderno e quiçá, ser a utilizadora exclusiva do mesmo, uma vez que a mana ainda é pequena demais para pintar os desenhos como deve ser! Acho isto tão óbvio!...

Não é assim tão óbvio, dizes tu, mamã? Hã... mas porquê?!? ... porque o caderno é da mana... Só por isso?!? Então isso resolvesse, dás-me o caderno e pronto! Não? Porquê?... porque é da mana... que regras tão... tão... castradoras!

Já disse isto e volto a dizê-lo: constituição de uma associação de defesa dos direitos das crianças já! Já existe? Ai sim? Vou fazer queixa! Quê? Existe mas não é para esse "tipo" de queixas? Qual foi essa das aspas, o que queres dizer com "tipo" de queixa, ein? ... está bem, vou-me acalmar mamã, já estou a esticar a corda...

... mas vou informar-me melhor sobre essa dita associação existente... se for preciso cria-se outra, para o meu "tipo" de queixas, tá? ok, já me calei...

23 setembro 2009

O Direito à Família

Acho que podemos exigir algumas coisas. Daquelas básicas. Tipo, uma casa para morar com o mínimo de condições, que nos mantenham sempre limpinhas, que nos vistam roupas decentes - de preferência com Hello Kittys estampadas nas camisolas (bem, isso é mais a mana mais velha, que a bebé ainda se está a marimbar para essas coisas), que nos alimentem com comida nutritiva e em quantidade suficiente para não doer a barriguinha e... basicamente é isso.

Estava a brincar! Para além dessas coisinhas, exigimos também muito carinho, amor, respeito, ternura, cuidado, apoio, miminhos e frases ditas bem lamechas do tipo "os pais amam-te muito filhinha, para sempre" ou "os pais amam-te muito e estão muito orgulhosos de ti e irão gostar sempre de ti, muito muito".

Agora vamos ao princípio: para termos estas coisas todas (pedimos muito pouco, não somos megalómanas...), é essencial que em primeiro lugar existam dois seres que entendam que estão prontos a constituir descendência e que se comprometem, para sempre, sublinhamos, para sempre, a cuidar dessa descendência e a proporcionar-lhes as melhores condições para que cresçam saudáveis e aptas a desenvolver todo o seu potencial enquanto pessoas. E assim nasce A FAMILIA, tal como nós as duas a conhecemos.

Nós temos uma família, a nossa família. E é uma família espectacular, grande, forte, e que tudo faz para que nós, as meninas lindas, cresçamos rodeadas de tudo a que temos direito: são os nossos pais, avós, tios, padrinhos, os melhores amigos e os pais dos melhores amigos. É muita gente. Gente boa. Que gosta de nós. Muito.

Não achamos que é um privilégio. É um direito. Básico. Que todas as crianças deviam ter como garantido.

22 setembro 2009

Dentes Precisam-se

Já tenho quase 11 meses e ainda nenhum dente que se veja. É um ultraje. A minha irmã está sempre a exibir a sua boca cheia de retângulos brancos, e eu que me aguente. Mais: tem a ousadia de dizer que tem um dente que anda a abanar, que vai sair!

Quer dizer, eu ainda não tenho nenhum e ela já tem um a sair? O quê, tem tantos que até os deita fora?

Isto é muito injusto. Passo os dias com a mão enfiada na boca porque as gengivas me doem, e nada. Babo-me com fartura porque as gengivas me doem, e nada. A minha mãe está sempre a dizer, olhando para mim com ar preocupado "Ó filha, os dentinhos nunca mais saem, que chatice", e nada.

O que é preciso fazer neste país para que os meus dentes saiam de uma vez por todas, hein? Uma bebé não tem direito a ter uma dentição que se veja, em tempo útil? Quero começar a comer da comida dos pais, e a trincar aquelas tostas que a mana come, que parecem tão saborosas, mas sem dentes não posso, não é?!?

A quem tenho de enviar estas reindivicações, hein? Ok, primeiro aprendo a escrever e depois digito a carta. Por este andar, quando for altura de aprender a escrever, ainda não será tarde para reclamar...

21 setembro 2009

Os Meus Direitos - Educação

Sou alguém, com voz, palavras, ideias, sonhos.

Sou criança e posso fazer tudo, os limites não existem.

Sou tu e tu, e tu e aquele e aquela e os outros que querem saber sempre mais, sempre.

Existo, e quero saber. Explicas-me? O Mundo agradece.