Mostrar mensagens com a etiqueta medo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta medo. Mostrar todas as mensagens

01 janeiro 2016

Somos mesmo uns bebés!

Somos mesmo uns medricas! Somos mesmo crianças da cidade. Somos mesmo europeus!

Pânico, gritos e terror por causa de uma baratinha inofensiva?!?!, Que por acaso só tem praí uns 20cm de comprimento?!? Em África?!?!?
(pronto, ok, estamos a exagerar. A ultima que vimos no quarto da mana mais nova só tinha uns 6 cm...)

Mas, quer dizer... falando a sério... tanto alvoroço só por causa de um bicharoco destes que por estes lados há aos montes? Aos milhares...?
(Ai minha nossa, aos milhares...)

Se calhar não havia necessidade. Se calhar somos mesmo uns "vidrinhos de cheiro". Qualquer criança que desde sempre viveu em Angola irá olhar para nós e exclamar: "Puff! Não sejam bebés chorões! É só uma barata! Qual é o drama?"

(não... não há drama nenhum... e não queremos ser bebés chorões... mas estávamos habituados a viver em apartamentos, e cidades grandes, e sem pátios, e sem árvores no jardim, e sem calor sufocante mesmo quando chove, e... e... e... SEM BARATAS E SAPOS E GAFANHOTOS E MOSCAS E MOSQUITOS E LAGARTIXAS À ESPERA DE INVADIREM O NOSSO QUARTO E NOS PREGAREM SUSTOS DE MORTE!!!!!)

Não há drama. Nenhum...
(medo... muito medo...)

12 outubro 2010

A Imutabilidade da Tristeza

Apercebemo-nos da sua chegada, permitimos a sua entrada, mostramos-lhe onde está o sofá para se instalar.

Sabemos que se ficar por cá muito tempo, pode fazer-nos mal. Mas neste momento é Ela que ocupa grande espaço na cabeça e coração da nossa mamã.

Sentir a cabeça apertada e por isso reduzir o pensamento analitico e pragmático para niveis minimos - assegurar apenas os serviços minimos - para dar tempo às peças, que neste momento esvoaçam furiosamente em estilo furação na cabeça da mamã, de terminarem a agitação e voltarem ao lugar, é esta actualmente a sua defesa. Porque neste momento o seu cérebro está muito ocupado. Ocupado a gerir perdas de pessoas queridas, ocupado a gerir a eminência de perder mais pessoas queridas. Ocupado a gerir imagens e emoções pela visão da quase morte, da quase vida, da quase existência de quem conheceu desde que nasceu e que neste momento não reconhece, face à degradação do seu estado.

No dia-a-dia da mamã, o coração bate mais forte do que o habital, o estômago contrai-se a cada pensamento mais negro e durante a noite os sonhos aplicam a facada final, com histórias cujo enredo é sempre o mesmo: salvar as filhas da eminência de morrerem por acidente ou descuido seu.

Bem vistas as coisas, nem sabemos como é que a mamã consegue levantar-se todos os dias de manhã e falar, andar e sorrir para nós, tal é o peso que lhe pende sobre a cabeça e tão apertada está a corda que lhe aperta o coração. O que sabemos é que neste momento, ela está em "modo automático", para poupar energias. Emoções. Pensamentos. Para ter reservas para o que aí vem.

Por isso a Tristeza está actualmente instalada no coração da mamã e teima em não sair; porque neste momento é a única que não muda, é estável, é imutável. É segura... E permite à mamã recolher-se, reorganizar-se e abastecer-se de força e coragem para si e para quem, dentro em breve, delas vai precisar também...

29 janeiro 2010

Manual anti pré/quase/embrionário bullying infantil

Certo, anotei mamã. Menino/menina portam-se mal comigo, de imediato eu:
. Digo-lhes "Fulano ou cicrano! Não faças mais isso a mim!"
. Faço queixa às professoras;
. Conto a ti e ao papá;
. Não respondo na mesma moeda - não se deve bater/magoar em ninguém.

Tá. Entendi. E essas orientações, devidamente seguidas, são garantia de que não me voltam a fazer o mesmo, pelo menos os mesmos individuos? Não?... Mas então porque é que o devo fazer?... Hã, é o que se deve sempre fazer neste tipo de situação...

Mas ó mamã, então e se o meu braço continuar a ser o alvo preferido da "beltrano", que pelos vistos adora beliscar-mo, mesmo sabendo que me doi como o catano?... Sigo as orientações... hã... e se não resultar?...